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Opus Dei

Imagine sua mente sendo monitorada 24 horas por dia. Você está num lugar onde não é permitido ver televisão ou ir ao cinema. Até o jornal chega editado às suas mãos. Ninguém pode ter amigos do lado de fora e o contato com a família é restrito.

Pelo menos duas horas por dia, você tem de amarrar um cilício na coxa – espécie de instrumento de tortura com pontas metálicas que machucam a pele. Quanto maior for o seu desconforto, melhor: isso significa que a instituição está exercendo mais controle sobre você. Se doer demais, tudo bem, você poderá trocar de coxa na próxima vez. O importante é que a experiência não passe em branco. Tem de machucar, deixar marcas. Caso contrário, não “faz efeito”.

Castidade

Se tudo isso já parece um pesadelo, saiba que ainda não acabou. Uma vez por semana, você terá também de golpear suas nádegas ou suas costas com um chicote. E ainda passará pelo que é chamado de “sinceridade selvagem”: contar aos seus superiores cada pensamento que passa pela sua cabeça, principalmente aqueles segredos mais íntimos, sobre os quais não se comenta nem no banheiro, de porta fechada e luz apagada. Se você não revelar tudo, mas tudinho mesmo, estará mantendo um “segredo com Satanás”.

As situações descritas acima não ocorrem nos porões de uma ditadura ou no ritual de alguma seita satânica, muito pelo contrário. Elas são rotina nas residências do Opus Dei, onde vivem os chamados numerários – membros da organização religiosa que fazem voto de castidade e estão ali por opção, para “santificar” o mundo. A maioria tem profissão e trabalha normalmente, como outra pessoa qualquer. Mas seus salários vão direto para o Opus. Muitos foram recrutados ainda bem jovens.

“O aliciamento acontece na infância ou na juventude, pois é mais fácil doutrinar uma personalidade ainda em formação. Eles começam levando crianças para brincar numa espécie de clube e vão seduzindo aos poucos”, diz um ex-numerário, que só aceitou falar com nossa reportagem mediante o compromisso de não ser identificado. “Eu mesmo convidava colegas de escola para fazer parte do clube. Obedecia ao que o diretor mandava: ‘Não conte que é do Opus. Leve primeiro para conhecer o centro, faça com que a pessoa se envolva’.”

O Opus Dei não é feito só de numerários: há também os supernumerários. Esses podem se casar, ter filhos e viver em suas próprias casas, embora também recorram à penitência física – ou mortificação corporal – como uma forma de controlar instintos pecadores. Uma das funções secretas desses membros, de acordo com os críticos da organização, seria ocupar posições de liderança na sociedade – seja num cargo político, na direção de uma grande empresa, na presidência de um banco, na reitoria de uma universidade ou na chefia de um veículo de comunicação. Do alto desses postos de comando, a capacidade de expansão e o poder de influência do Opus Dei estariam assegurados.

Trabalho

Pode acreditar: numerários e supernumerários estão por toda parte, talvez bem mais perto do que você imagina. Afinal, é justamente essa a proposta do Opus – ser uma legião de homens e mulheres comuns, que se misturam ao mundo real para transformá-lo de dentro para fora. Do motorista de táxi ao ministro de Estado, da dona-de-casa à diretora de uma multinacional, todos devem ser engrenagens e trabalhar silenciosamente pelos objetivos da organização. Como dizia Josemaría Escrivá, fundador do grupo: “Seja santo. Santifique-se em seu trabalho. E santifique os outros com seu trabalho”.

Quem defende a instituição religiosa das acusações de ultraconservadora, totalitária e conspiradora garante que não há nada de errado com suas tradições, muito menos de secreto ou misterioso nas ações de seus integrantes. “Para quem conhece e vivencia o Opus Dei, acima da pirotecnia fica a verdade: ele é uma entidade da Igreja Católica (…) cuja única finalidade é procurar o ideal da vida e de serviço cristão no meio do mundo, mediante a santificação do trabalho profissional, da família e dos deveres cotidianos”, afirma o jurista Ives Gandra Martins, num artigo publicado pelo jornal Folha de S.Paulo em 2005. “O Opus Dei tem como membros e trabalha com pessoas de todas as classes sociais. Ama e defende a liberdade de seus fiéis em todas as questões que a Igreja deixa à livre discussão dos católicos.”

Autonomia

O Opus Dei – expressão em latim que significa “Obra de Deus” – foi fundado pelo sacerdote espanhol Josemaría Escrivá em 1928. Trata-se de uma prelazia pessoal, figura jurídica da Igreja Católica que está prevista no Código de Direito Canônico (a constituição da Igreja). Ela dá aos seus membros o direito de seguir ordens do prelado (o líder máximo do Opus, que fica em Roma), em vez de obedecer à autoridade católica regional. Simplificando grosseiramente, é como se o grupo fosse um braço independente da Igreja, que não deve explicações a mais ninguém além do papa.

“A ascensão do Opus Dei à categoria de prelazia pessoal era o grande sonho de seu fundador”, escreve o jornalista espanhol Juan Bedoya em artigo recente no jornal El País. “Homem de grandes ambições, Escrivá queria livrar-se das dependências em relação aos bispos porque sua fundação, então com 70 mil integrantes – a imensa maioria leigos, homens e mulheres, celibatários ou casados –, tinha pouco a ver com os institutos e as congregações tradicionais.”

Os 70 mil seguidores de 25 anos atrás hoje são aproximadamente 87 mil. Na avaliação de Bedoya, esses números demonstram com sobras a situação especial desfrutada pelo Opus Dei dentro da sempre rígida Igreja Romana. “No último meio século, ninguém se destacou tanto quanto a Obra de Escrivá”, afirma o jornalista. “Não se pode dizer a mesma coisa de outras congregações clássicas, como os jesuítas, que hoje são apenas 19 mil no mundo todo.” Ainda assim, e apesar de estar presente em 64 países, o Opus continua sendo fundamentalmente espanhol. Na Espanha estão concentrados mais de 40% de seus membros. Outros 35% estão na América Latina. A organização também tem seus pés muito bem fincados na África e na Ásia. “Agora o objetivo é a conquista dos ex-países comunistas do Leste Europeu.”

Nesses 25 anos de história, o Opus Dei colecionou críticos. Alguns de seus detratores mais radicais chegam a chamá-lo de “máfia santa”. Outros o acusam de ser “uma Igreja dentro da Igreja”, com poderes excepcionais e muito dinheiro sendo colocado a serviço de um conservadorismo atroz. Em parte, essa fama se deve às estreitas relações que a organização cultivou com o regime fascista do ditador espanhol Francisco Franco, de 1939 a 1975. Josemaría Escrivá, o próprio, ouvia as confissões do “generalíssimo”, como Franco era conhecido, e muitos integrantes ou colaboradores do Opus Dei foram nomeados ministros de Estado enquanto durou a ditadura.

A organização chegou ao Brasil na década de 1950. Instalou-se inicialmente em Marília, no interior de São Paulo, e de lá acabou migrando para a capital, onde hoje mantém centros nos bairros do Pacaembu, de Vila Mariana, de Pinheiros e do Itaim, entre outros. Está presente também nas cidades de Campinas (SP), São José dos Campos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Niterói (RJ), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Curitiba (PR), Londrina (PR) e Porto Alegre (RS). Entre numerários, supernumerários e sacerdotes, estima-se que o Opus tenha cerca de 1 700 integrantes por aqui.

Preeminência

A influência que a “Obra de Deus” exerce sobre o Vaticano pode ser medida pelo processo incrivelmente rápido de canonização de Escrivá – o 2º mais breve na história da Igreja Romana, atrás apenas do de madre Teresa de Calcutá (leia mais nas págs. 36 e 37). De acordo com Juan Bedoya, o papa João Paulo 2º chegou ao cargo protegido e impulsionado sobretudo pelo Opus Dei. E o atual sumo pontífice também dá sinais de profunda simpatia pela “Obra”. “A organização não gozou de trato especial com os papas Pio 12, João 23 e Paulo 6º, mas foi o movimento predileto do polonês João Paulo 2º, mais conservador que os anteriores”, diz o jornalista espanhol. “Com o papa Bento 16, a organização mantém a preeminência do passado.”

Fonte: http://super.abril.com.br/religiao/opus-dei-exercito-papa-447854.shtml

 

 

Wikipédia

A Prelatura da Santa Cruz e Opus Dei (em latim Obra de Deus) é uma instituição hierárquica da Igreja Católica, uma prelazia pessoal, composta por leigos, casados, solteiros e sacerdotes. Tem como finalidade participar da missão evangelizadora da Igreja. Concretamente, o Opus Dei procura difundir a vida cristã no mundo, no trabalho e na família, a chamada universal à santidade e o valor santificador do trabalho quotidiano. No dia 28 de novembro de 1982 o papa João Paulo II através da Constituição Apostólica Ut Sit constituiu o Opus Dei em prelatura pessoal.

A prelatura segue uma via de conduta que passa pela santificação do trabalho, nas palavras do fundador “o trabalho é santo, santifica-nos e santifica os outros”. Assim, todo e cada um, homem ou mulher, é chamado à santificação pelo trabalho que exerce, encontrando Deus nas coisas ordinárias, por mais pequenas que sejam, da Terra.

Segundo o papa João Paulo II: Esta natureza hierárquica do Opus Dei, estabelecida na constituição apostólica com a qual erigi a prelazia (cf. “Ut sit”, 28 de novembro de1982), pode servir-nos de ponto de partida para considerações pastorais ricas em aplicações práticas. Desejo enfatizar, antes de mais nada, que a pertença dos fiéis leigos, tanto à sua Igreja particular como à Prelazia, à qual estão incorporados, faz com que a missão peculiar da Prelazia desemboque no compromisso evangelizador de toda Igreja particular, tal como previu o Concílio Vaticano II ao criar a figura das prelazias pessoais.

Opus Dei também foi fortemente criticado, sendo acusado principalmente de proselitismo agresivo, seitarismo e difusión de atitudes e vínculos com grupúsculos daextrema direita.

Fins

Segundo o fundador do Opus Dei, São Josemaria Escrivá de Balaguer, “o Opus Dei tem por fim promover entre pessoas de todas as classes da sociedade o desejo da plenitude da vida cristã no meio do mundo. Quer dizer, o Opus Dei pretende ajudar as pessoas que vivem no mundo — o homem vulgar, o homem da rua — a levar uma vida plenamente cristã, sem modificar seu modo normal de vida, nem seu trabalho ordinário, nem suas aspirações e anseios.”

“Por isso se pode dizer, como escrevi há muitos anos, que o Opus Dei é velho como o Evangelho e, como o Evangelho, novo. É lembrar aos cristãos as maravilhosas palavras que se lêem no Gênesis: Deus criou o homem para trabalhar. Detivemo-nos no exemplo de Cristo, que passou quase toda a vida na terra trabalhando como artesão numa aldeia. O trabalho não é apenas um dos mais altos valores humanos e meio com que os homens devem contribuir para o progresso da sociedade; é também caminho de santificação.”

História

O Opus Dei foi fundado por Josemaría Escrivá de Balaguer em 2 de Outubro de 1928 em Madrid, na Espanha. “A Obra de Deus não foi imaginada por um homem”, escreveu Monsenhor Josemaria; “Há muitos anos que o Senhor a inspirava a um instrumento inepto e surdo, que a viu pela primeira vez no dia dos Santos Anjos da Guarda, no dia 2 de outubro de 1928.”

Em 14 de Fevereiro de 1930, o fundador compreendeu que a instituição também deveria desenvolver o apostolado entre as mulheres, e posteriormente para receber e atender ao clero da Prelazia foi fundada, em 14 de Fevereiro de 1943, a Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz, composta exclusivamente de clérigos e inseparavelmente unida ao Opus Dei.

Governo central

Villa Tevere, sede do governo central do Opus Dei, na viale Bruno Buozzi, Parioli, Roma.

Segundo a Constituição Apostólica Ut sit o Governo central da Prelazia tem a sede em Roma, ficando erigido, como Igreja prelatícia o oratório de Santa Maria da Paz, que se encontra na sede central da Prelazia e onde se encontra o Prelado.

No governo da prelazia o prelado é auxiliado por dois órgãos centrais que também têm sede em Roma: o Conselho Geral composto pelos integrantes da seção masculina, e a Assessoria Central integrado apenas por mulheres. Na pessoa do prelado se mantém uma unidade indivisível de espírito e jurisdição. Por direito o prelado é também o Presidente geral da Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz.

Igreja Prelatícia de Santa Maria da Paz, no interior de Villa Tevere, Roma.

A prelatura está dividida em regiões que são administradas por um vigário ou conselheiro regional. As regiões por sua vez podem ser subdivididas em delegações e centros, os centros são a “estrutura de base” da prelatura.

À época do falecimento do fundador, em 26 de Junho de 1975, a prelatura já se estendia pelos cinco continentes, contando com mais de sessenta mil membros de 88 nacionalidades.

O fundador foi sucedido no governo da prelazia pelo Bispo Dom Álvaro del Portillo e, após o falecimento inesperado em 23 de março de1994, por Mons. Javier Echevarría Rodríguez, atual prelado nomeado pelo Papa em 20 de abril de 1994 e sagrado bispo por João Paulo II no dia 6 de janeiro de1995 na basílica de São Pedro. Está previsto no direito próprio que a investidura no cargo de prelado é vitalícia.

Características

“O Opus Dei é uma organização internacional de leigos, a que também pertencem sacerdotes seculares (uma exígua minoria em comparação com o total de sócios). Seus sócios são pessoas que vivem no mundo e nele exercem a sua profissão ou ofício. Não entram no Opus Dei para abandonar esse trabalho, antes, pelo contrário, para encontrar uma ajuda espiritual que os leve a santificar o seu trabalho ordinário e a convertê-lo também em meio de santificar-se e de ajudar os outros a santificar-se.

Não mudam de estado — continuam a ser solteiros, casados, viúvos ou sacerdotes —, mas procuram servir a Deus e aos outros homens dentro do seu próprio estado. O Opus Dei não está interessado em votosou promessas; o que pede aos seus sócios é que, no meio das deficiências e erros próprios de toda a vida humana, se esforcem por praticar as virtudes humanas e cristãs, sabendo-se filhos de Deus.”

O santo do ordinário (imagem Filipina).

O Opus Dei tem como lema “encontrar Deus no trabalho e na vida cotidiana”. Procura a santificação de cada cristão no meio do mundo, através do exercício profissional cotidiano e no cumprimento dos deveres pessoais, familiares e sociais de cada um, de maneira a que cada indivíduo se torne um fermento de intensa vida cristã em todos os ambientes em que se encontre inserido.

Para essa finalidade a prelatura proporciona os meios de formação espiritual e atendimento pastoral aos próprios fiéis e também a muitas outras pessoas. Através desse atendimento pastoral, as pessoas são estimuladas a colocar em prática os ensinamentos do Evangelho, mediante o exercício das virtudes cristãs e a santificação do trabalho.

Isto significa, para os fiéis da prelatura, trabalhar segundo o espírito de Jesus Cristo: realizar as próprias tarefas com perfeição, como forma de dar glória a Deus e servir aos outros, e, deste modo, contribuir para santificar o mundo, tornando presente o espírito do Evangelho em todas as actividades e realidades temporais. Os membros da prelatura praticam também as chamadas normas de piedade, que consistem em, por exemplo, rezar o terço todos os dias, visitar Deus no sacrário ou confessarem habitualmente.

Os fiéis da prelatura realizam pessoalmente a sua tarefa evangelizadora nos vários âmbitos da sociedade em que estão inseridos. Por conseguinte, o trabalho que levam a cabo não se limita a um campo específico, como a educação, o cuidado de doentes ou a ajuda a deficientes. A Prelatura propõe-se recordar que todos os cristãos, seja qual for a actividade secular a que se dediquem, devem cooperar na solução cristã dos problemas da sociedade e dar testemunho constante da sua fé.

Vida diária

O cristão está chamado a procurar a santidade, isto é, a identificação com Jesus Cristo, através das circunstâncias da sua vida e das atividades em que se ocupa regularmente. Segundo o fundador do Opus Dei: “A vida corrente pode ser santa e plena de Deus; o Senhor chama-nos a santificar as ocupações habituais, porque também nelas se encontra a perfeição do cristão”.

Portanto, todas as virtudes são importantes para o cristão: a fé, a esperança e a caridade, apoiadas nas virtudes humanas: como a generosidade, a laboriosidade, a justiça, a lealdade, a alegria, a sinceridade etc. É pelo exercício das virtudes que o cristão vai-se configurando com Jesus Cristo.

Outra consequência do valor santificador da vida corrente é a transcendência das coisas pequenas que preenchem a existência de um cristão comum. “A santidade grande está em cumprir os deveres pequenos de cada instante”, ensinava São Josemaria Escrivá. São coisas pequenas, por exemplo, os detalhes de serviço, de boa educação, de respeito aos outros, de ordem material, de pontualidade etc.: quando se vivem por amor de Deus, esses detalhes não são de pouca relevância para a vida cristã.

Dentre as realidades quotidianas sobre as quais um cristão corrente deve edificar a sua santificação e às quais deve dar, portanto, uma dimensão cristã, encontram-se — para a maioria das pessoas — o matrimônio e a família. “Para um cristão, o matrimônio não é uma simples instituição social, e menos ainda um remédio para as fraquezas humanas: é uma autêntica vocação sobrenatural(…) Os casados estão chamados a santificar o seu matrimônio e a santificar-se a si próprios nessas união (…). A vida familiar, as relações conjugais, o cuidado e a educação dos filhos, o esforço necessário para manter a família, para garantir o seu futuro e melhorar as suas condições de vida, o convívio com as outras pessoas que constituem a comunidade social, tudo isso são situações humanas, comuns, que os esposos cristãos devem sobrenaturalizar”.

Caridade e apostolado

Os fiéis do Opus Dei se esforçam por dar testemunho da sua fé cristã por ocasião das suas atividades ordinárias e do seu relacionamento humano. O seu apostolado dirige-se a todos os homens e mulheres, e é exercido, em primeiro lugar, com o exemplo pessoal e depois mediante a palavra. O desejo de dar a conhecer Jesus Cristo, consequência direta da caridade (isto é, do amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos), é inseparável do desejo de contribuir para a solução das necessidades materiais e dos problemas sociais do ambiente.

O apostolado do Opus Dei, é de natureza à conversão individual, não visa conversões em massa. Prima ele pelo trato natural que existe entre amigos.

Amor à liberdade

Os fiéis do Opus Dei são cidadãos que gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos às mesmas obrigações que os outros cidadãos, seus iguais. Nas suas atuações profissionais, familiares, políticas, econômicas, culturais etc., agem com liberdade e com responsabilidade pessoal, sem pretender envolver a Igreja ou o Opus Dei nas suas decisões, nem apresentá-las como as únicas congruentes com a fé. É a isto que leva o respeito à liberdade e às opiniões alheias.

Vida de oração e sacrifício

O espírito do Opus Dei incentiva a cultivar a oração e a penitência, como meios de manter o empenho por santificar as ocupações habituais. Por isso, os fiéis da prelatura incorporam à sua vida determinadas práticas assíduas: meditação, assistência diária à Santa Missa, confissão sacramental frequente, leitura e meditação do Evangelho, etc. A devoção a Nossa Senhora ocupa um lugar importante nos seus corações. Igualmente, para imitar Jesus Cristo, fazem sacrifícios, em especial os que favorecem o cumprimento fiel do dever e tornam mais agradável a vida aos outros, bem como a renúncia a pequenos prazeres, o jejum, a esmola, etc.

Mortificação

São Josemaria gostava de dizer que as melhores penitências são as que se apresentam por ocasião do próprio trabalho, que se leva na vida ordinária. Falava por exemplo do sorriso quando se está cansado, de terminar bem o trabalho começado, de saber escutar aos demais com paciência e compreensão.

A mortificação corporal, que é praticada com moderação e senso comum, pertence ao patrimônio espiritual da Igreja e é entendida como um sacrifício mental ou físico aos olhos de Deus. Pode cingir-se à renúncia de algum alimento pelo qual a pessoa que se mortifica tenha preferência ou simplesmente por não beber água imediatamente quando se tem sede, por exemplo. Estes sacrifícios são vistos como uma união à paixão e à cruz de Jesus Cristo e, portanto, como meio de participação na Redenção. Muitos santos a praticaram.

Unidade de vida

A “unidade de vida” é outro alicerce nos ensinamentos do fundador do Opus Dei. De acordo com sua mensagem, um cristão não deve procurar Deus apenas na igreja, mas também nas menores atividades ou ocupações de sua vida. Deixar de ser cristão quando se sai do templo, como quem tira um chapéu ao entrar num restaurante, é ter “vida dupla”.

A “unidade de vida”, segundo S. Josemaria Escrivá, é uma profunda união com Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Desta forma, o trabalho profissional ou qualquer atividade, incluindo o descanso e o lazer, une-se à redenção operada por Cristo no Calvário, transformando-se em trabalho redentor. Todas as boas obras que fizermos em benefício do nosso próximo são obras de justiça, mas somente a fé em Jesus – o Filho de Deus – pode justificar o homem.

Sobre a “unidade de vida” ensinou São Josemaria: Não meus filhos! Não podemos levar uma vida dupla, não podemos ser esquizofrênicos, se queremos ser cristãos: existe apenas uma vida, feita de carne e de espírito, e é esta vida que deve ser, na alma e no corpo, santa e cheia de Deus: este Deus invisível encontramo-lo nas coisas mais visíveis e materiais. Não há outro caminho, meus filhos: ou somos capazes de encontrar o Senhor na nossa vida ordinária, ou nunca O encontraremos.

Os fiéis da prelatura

O membro do Opus dei tem a obrigação de cumprir bem com o seu dever, de desempenhar bem a sua função social, de ser um bom marido, um bom pai, um bom filho, um bom estudante, um bom trabalhador, um bom intelectual, um bom profissional, um bom cidadão, tem de respeitar as opiniões dos outros nas coisas temporais, de conviver afetuosa e fraternalmente com os que não são da sua opinião, tem de ser alma de paz, semeador de alegria. Foi assim que a Santa Sé nos chamou num documento de há muitos anos: semeadores de paz e de alegria. E tenho a certeza de que o notais nas vossas famílias, aqueles de vós que têm pessoas do Opus Dei, que fazem de maneira a que haja paz, a que haja alegria, a que haja serenidade; tudo isto é manifestação do facto de que Deus está aí. (Josemaria Escrivá)

D. Álvaro del Portillo, bispo e primeiro sucessor de Escrivá.

A grande maioria dos membros da prelatura são leigos. Por leigos entendem-se aqui todos os cristãos que não são membros da sagrada Ordem ou do estado religioso reconhecido pela Igreja (…) É, pois, claro a todos, que os cristãos de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade. Na própria sociedade terrena, esta santidade promove um modo de vida mais humano.

O Opus Dei (2005) possui aproximadamente 85 mil membros distribuídos pelos cinco continentes. Existe um único e idêntico fenômeno vocacional pelo qual todos os fiéis da prelatura são e se sentem membros em igual grau: segundo seus Estatutos, todos os membros da Obra são iguais em direitos, deveres e autoridade sob a guia do Prelado, líder pastoral da Prelatura. Os membros do Opus Dei podem ser casados, solteiros, homens e mulheres:

Supranumerários

A maioria dos fiéis da Opus Dei é composta pelos membros supranumerários: são geralmente homens ou mulheres casados, que seguem carreiras convencionais e para quem a santificação dos deveres profissionais e familiares é parte principal da sua vida cristã. Os supranumerários constituem atualmente cerca de 70% do total dos membros do Opus Dei.

Além das atividades normais de qualquer cidadão, os supranumerários devotam algum tempo diário à oração, além de participar de palestras específicas de formação humana e teológica e de participar anualmente em retiros espirituais. Em decorrência de suas obrigações profissionais e familiares não possuem a mesma disponibilidade às atividades da prelatura que os outros membros.

Numerários e agregados

Os demais fiéis do Opus Dei são homens e mulheres que se comprometem a viver em celibato, por motivos apostólicos. Alguns moram com as suas famílias ou onde lhes for mais conveniente por motivos profissionais: são os adscritos da prelatura. Outros, pelas suas circunstâncias, podem permanecer plenamente disponíveis para cuidar das atividades apostólicas e da formação dos demais fiéis da prelatura: são os numerários, que ordinariamente podem viver em centros do Opus Dei, sem que isto impeça que desenvolvam sua carreira profissional. As numerárias auxiliares dedicam-se principalmente à atenção dos trabalhos domésticos das sedes dos centros da prelatura, que é a sua atividade profissional normal.

A Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz

O presbitério do Opus Dei é composto por membros da prelatura, tipicamente numerários e adscritos, que recebem o sacramento da Ordem e estão sob a jurisdição do prelado do Opus Dei.

A Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz é uma associação de sacerdotes unida ao Opus Dei. Fazem parte desta associação os sacerdotes que compõem o presbitério do Opus. Estes são membros da Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz e estão sob a jurisdição do prelado da Obra. Também são admitidos como membros desta sociedade sacerdotes diocesanos que, permanecendo sob a jurisdição do bispo de sua diocese, procuram santificar seu trabalho de acordo com o espírito do Opus Dei e a sua orientação espiritual. Os sacerdotes diocesanos, portanto, não fazem parte do presbitério da Obra, mas apenas associam-se à Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz.

Eram, no ano de 2004, vinte e três os bispos da Igreja Católica originários (incardinados) do clero do Opus Dei, existem mais dezoito bispos originários do clero diocesano que integram a Lista de bispos do Opus Dei, num total de 41 bispos, o que segundo John L. Allen Jr., em 2004, reprentaria 0,9% do episcopado católico em todo o mundo composto de 4.564 bispos.

Cooperadores

Os Cooperadores do Opus Dei não pertencem à prelatura, mas colaboram com ela de alguma forma: orações, contribuições financeiras ou provendo algum outro tipo de assistência. Os cooperadores não precisam aderir a qualquer requisito especial, são apenas pessoas que apoiam o trabalho da Opus Dei, com o qual partilham ideais. Podem ser cristãos ou não.

Obras corporativas

Ver artigo principal: Obras corporativas do Opus Dei

Nas obras de apostolado corporativo, o Opus Dei garante moralmente a orientação cristã da atividade que nelas se desenvolve, os acordos com a prelatura não modificam de modo algum a natureza civil da entidade interessada. A responsabilidade plena da sua gestão e direção cabe sempre aos seus promotores, que serão pessoas ou entidades civis e não a prelatura. Nestes casos a prelatura proporciona orientação doutrinal e atenção sacerdotal, sem discriminação de raça, religião ou condição social. Em todo caso deve tratar-se de iniciativas de inequívoco interesse social, sem fins comerciais ou políticos.

Críticas

“Murray Hill Place”, sede do governo regional do Opus Dei nos Estados Unidos (Nova Iorque).

O Opus Dei é muitas vezes descrito por seus críticos como um movimento ultraconservador, por sua fidelidade ao Magistério da Igreja Católica e à doutrina da Igreja Católica. É-lhe atribuído, na América Latina, uma influência considerável como instrumento da luta do Vaticano contra a Teologia da Libertação, afirmando-se que está fortemente implicado nas lutas de poder dentro da Igreja Católica; estas suposições, no entanto, nunca foram provadas.

Sobre as críticas, os defensores do Opus Dei afirmam que a prelatura foi falsamente caluniada. Segundo John Allen, vaticanista da CNN : “Há dois Opus Dei: um Opus Dei do mito e um Opus Dei da realidade”. Também questionam a motivação e a confiabilidade de alguns críticos. Indicam que ex-membros de qualquer instituição podem ter motivações psicológicas ou emocionais para criticar o grupo a que pertenciam, e reivindicam que tais indivíduos estão propensos a criar histórias fictícias de atrocidade que não correspondem a realidade.

Além disso, uma certa discrição por parte do Opus Dei faz com que as informações a seu respeito sejam extremamente fragmentárias. Por exemplo: a Constituição do Opus Dei, redigida em 1950, só foi publicada em 1986, depois da erecção como Prelazia Pessoal (antes de 1982, seria um documento provisório). Essa discrição adotada pelos membros da prelazia é por vezes acusada de secretismo, o que levou a que, em Itália, se tivesse tentado extinguir a Obra, devido a uma lei que proibia sociedades secretas.

Para impedir boatos que insinuavam que o comportamento da prelatura estava longe de ser o correto e acabar com a imagem de “sociedade secreta”, os responsáveis pelo Opus Dei fizeram grandes esforços de divulgação da instituição aquando da canonização de Josemaría Escrivá.

Atenção dos meios de comunicação

Em todo o mundo, o Opus Dei passou a receber grande dose de atenção dos meios de comunicação devido à publicação do livro “O Código Da Vinci” (em que dois membros da prelazia usam de fins violentos para defenderem segredos da Igreja Católica), e, no Brasil, pela divulgação de que o ex-governador e atual governador eleito do estado brasileiro de São Paulo, Geraldo Alckmin, fazia parte da Obra. Ele, inclusive, quando era prefeito de Pindamonhangaba em 1978, batizou uma rua da cidade com o nome do fundador, Josemaría Escrivá de Balaguer, em comemoração ao cinquentenário da organização. Por sua vez, Alckmin sempre negou ter qualquer vínculo com o Opus Dei.

Cadu Silveira, jornalista, afirma que “o Opus Dei teve e tem ligações com regimes autoritários e elites conservadoras” (História Viva, maio de 2006). Segundo John Allen Jr., jornalista da CNN, é preciso, de saída, contextualizar a questão. No tempo da guerra civil na Espanha(1936-1939), Escrivá e a maioria dos católicos do país apoiaram os nacionalistas contra os republicanos e comunistas. Nas décadas seguintes, a organização forneceu alguns ministros aos governos franquistas e pós-franquistas, em geral quadros de perfil tecnocrático. Em contrapartida, informa o autor, diversos numerários foram presos ou tiveram de se exilar por sua oposição a Franco.

Os sucessores de Escrivá costumam descartar a acusação de serem ligados às elites, lembrando que entre os construtores da “Obra” – menos de 100 mil no mundo inteiro – existem trabalhadores manuais, motoristas de ônibus, agricultores e mesmo donas-de-casa. O livro de Allen Jr. traz depoimentos de alguns desses colaboradores mais humildes. E também do jornalista de Barcelona Luís Foix, militante da organização, que colabora em publicações de centro-esquerda e apoia os socialistas nas eleições. Ele enfatiza a liberdade de opinião existente dentro do grupo, afirmando que ninguém jamais tentou influenciar suas escolhas políticas. “Como membro do Opus Dei, sou totalmente livre”, resumiu o jornalista espanhol.

Fábio Chiossi, jornalista, em “Opus Dei não é tão poderoso como se pensa, diz vaticanista” (Folha de São Paulo, 13 de fevereiro de 2006), interrogou se “o fato de que eles cultivarem uma atmosfera de segredo não prejudica sua imagem?”. John Allen Jr. respondeu que “sim. Mas o fato é que eles não vêm isso como segredo, mas como o viver sua própria espiritualidade. Assim, não tentam ser sigilosos, mas eu acho que, para as pessoas que estão fora, eles aparecem como um grupo secreto porque não fazem um trabalho muito bom para se explicarem. Isso os afeta. E é claro que, com o livro, eu estava tentando desafiar a enfrentar isso…”

Segundo o prof. Carlos Errázuriz, “os estatutos de 1950 recolhiam fielmente a realidade do Opus Dei, mas, devendo corresponder à figura de instituto secular, mantinham elementos que não se enquadravam na realidade secular que é própria do carisma do Opus Dei. Estes elementos desapareceram nos seus estatutos como prelatura.”

Porém, há membros que são extremamente conservadores e criticam muitas outras religiões. O Opus Dei possui documentos que procuram tirar a liberdade de muitas pessoas por causa de sua religião, que não condiz com que o Opus Dei prega.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Opus_Dei